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Fintech Magalu está pronta para tirar proveito de open finance

jul 4, 2022

Por Antony Pinedo

Magazine Luiza quer se tornar um fornecedor de todos os produtos que o sistema financeiro aberto permitirá e espera um crescimento positivo para o segundo semestre do ano

 

A Fintech Magalu está pronta em termos de nível tecnológico e de talentos para aproveitar os novos modelos de negócios que a implementação do Open Finance irá gerar no Brasil e disponibilizará estas soluções a terceiros.

O braço fintech da gigante do comércio eletrônico brasileiro Magazine Luiza foi lançado há menos de um mês, mas é um guarda-chuva que contém um conjunto de soluções financeiras digitais que a empresa já possuía, tais como Luiza Credit, terminais de venda e Magalu Pagos.

“À medida que o Banco Central liberar os próximos produtos de Open Finance, tais como captura de dados para crédito e, em breve, até mesmo crédito e empréstimos, também poderemos oferecer estes serviços, tanto dentro da Magalu, como externamente”, diz Leandro Hespanhol, diretor-comercial e de novos negócios da Fintech Magalu, à iupana.

O Brasil está liderando a implementação de Open Finance na região. O Banco Central do país diz que é um caminho sem retorno e que a adoção crescerá à medida que mais produtos ficarem disponíveis para os consumidores.

Uma das soluções que dará visibilidade ao sistema financeiro aberto – de acordo com os porta-vozes do regulador – são os iniciadores de pagamentos, que são empresas que permitem ao cliente pagar ou transferir pessoalmente ou online, sem exigir um cartão ou fazer o login no site onde o dinheiro que o usuário deseja utilizar está localizado.

A Fintech Magalu solicitou autorização e já passou por três das quatro etapas necessárias para a aprovação final como iniciador de pagamentos. Isto significa que eles estão perto de obter a luz verde para operar     , embora o processo esteja um pouco atrasado como resultado da greve dos trabalhadores do Banco Central.

“Temos várias conversas em andamento e alguns contratos já foram fechados, inclusive para esta iniciativa [de iniciador de pagamentos]. Não temos dúvidas de que isto trará grandes benefícios, não só para as empresas, mas também para o consumidor brasileiro”, acrescenta Hespanhol     .

A fintech faz parte do conglomerado da Magazine Luiza, que é o quarto maior marketplace do Brasil em visitas mensais, com quase 31 milhões de visitantes ao site, de acordo com o Statista. É uma empresa que conseguiu adaptar-se às mudanças tecnológicas do mercado desde sua fundação em meados dos anos 1950.

 

Copa do Mundo e Natal para impulsionar o crescimento

A fintech afirma que, no segundo semestre de 2022, seus dois produtos no mercado brasileiro — empréstimos pessoais e um cartão de crédito corporativo — irão crescer em número de usuários.

“O movimento natural do varejo é maior no segundo semestre do ano no Brasil, especialmente por causa da Black Friday e do Natal. Neste ano, há uma particularidade que é a Copa do Mundo, que traz estímulos, especialmente para os brasileiros, e traz um movimento muito grande de consumo”, diz Hespanhol.

Os empréstimos pessoais concedidos pela Fintech Magalu são o resultado de uma joint venture com o Itaú Unibanco, uma parceria de mais de 20 anos, na qual a instituição financeira é responsável pela avaliação e colocação de crédito.

Enquanto isso, a fintech é responsável por toda a operação de cartões de crédito corporativos, que cruza informações com o mercado do grupo onde seus vendedores operam.

“Toda a plataforma coleta informações sobre vendas, pedidos, comportamento, tudo o que eles têm, portanto, isto nos dá informações e um pouco de segurança para poder conceder-lhes crédito”, acrescenta o executivo.

O empréstimo médio para pessoas físicas varia de R$ 3.000 a R$ 4.000 (entre US$ 550 e US$ 750), e para empresas é de R$ 50.000 (cerca de US$ 9.500).

 

O crescimento e a rentabilidade da Fintech Magalu

A fintech confia em seus princípios corporativos de “crescimento sustentável” para evitar as armadilhas que a crise econômica global está impondo aos agentes do mercado.

Em um cenário local que não é estranho ao aumento global das taxas de juros e com vários fintechs tendo demitido até 20% de sua equipe, Hespanhol está confiante de que eles continuarão a crescer no Brasil.

“Estamos cuidando de nós mesmos, sim. Ajustamos o crédito, eventualmente reprimimos um ou outro produto, para estarmos sempre lá, equilibrando a rentabilidade, mas nunca perdendo nosso DNA de crescimento aqui”, diz ele.

Além disso, como diferencial em relação a outros concorrentes – continua Hespanhol – eles têm do seu lado a credibilidade de Magalu e seu modelo de desenvolvimento de produtos que testa soluções internamente, bem como um compromisso de digitalizar o varejo no Brasil.

E, embora o grupo Magazine Luiza tenha conseguido se posicionar no competitivo mercado brasileiro, os planos de internacionalização não são uma prioridade para a empresa.

“Achamos que ainda há uma grande oportunidade dentro do Brasil”, diz Hespanhol, embora ele insinue que “no longo prazo, sim, já falamos de possibilidades, mas nada muito concreto ainda”. “É apenas uma ideia.”

Finalmente, o executivo garante que está acompanhando de perto a evolução do uso de moedas criptográficas e não descarta a possibilidade de entrar nesta indústria. Ele relata que há até mesmo equipes trabalhando nisso.

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