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The future of finance in LatAm & the Caribbean

O futuro das finanças na América Latina e no Caribe

Estes são os sistemas de pagamento imediato na América Latina

fev 13, 2023

Por Antony Pinedo

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SPEI no México, Pix no Brasil, Transferências 3.0 na Argentina, Sinpe na Costa Rica e muitos mais: a onda de sistemas de pagamento imediato continua avançando na região

Agilizar a liquidação de pagamentos é um objetivo comum dos bancos centrais da região. Para isso, eles têm promovido esforços tecnológicos e regulatórios a fim de agilizar as operações em seus ecossistemas locais.

Bancos e fintechs com visão regional devem estar atentos a esses sistemas de pagamento instantâneo, para desenvolver modelos de negócios sustentáveis ​​e em conformidade com os reguladores. Isso em um momento em que outras jurisdições, como Peru e Colômbia, também estão trabalhando no desenvolvimento de suas plataformas.

Apresentamos a seguir uma lista com as características dos principais sistemas de pagamento eletrônico instantâneo da região.

 

1. México: SPEI – CoDi

Os números publicados pelo Banco do México (Banxico) mostram um Sistema de Pagamento Eletrônico Interbancário (SPEI) em crescente adoção. A quantidade de operações aumentou 62%, em 2021, em relação ao ano anterior, tendo como protagonista as transferências com valores inferiores a MXN$ 8.000 (cerca de US$ 420).

O SPEI iniciou suas operações em agosto de 2004 e inclui entre seus players bancos, financeiras populares (sofipo) e fintechs autorizadas. Atualmente, está passando por uma série de reformas para evoluir e dar lugar ao SPEI 2.0, flexibilizando os limiares para a participação de entidades não bancárias, um desenvolvimento que a iupanaPro está reportou em detalhe.

"No México, o SPEI funciona muito bem", disse à iupana, em agosto de 2022, Alejandro Pineda, CEO da Openpay, o agregador de pagamentos do grupo BBVA na América Latina. “Por meio do SPEI, o dinheiro é recebido na conta Openpay, que depois faz a conciliação e a liquidação aos seus clientes agregados”, descreveu o processo do sistema imediato.

Na última atualização publicada pelo regulador, somente em junho do ano passado, o SPEI realizou pouco mais de 200 milhões de operações interoperáveis ​​e gratuitas.

Da mesma forma, o país conta com o CoDi, sistema de pagamento móvel que utiliza ferramentas como códigos QR, tecnologia NFC ou links de pagamento para agilizar as transações, na tentativa de reduzir o dinheiro circulante. O CoDi, apresentado em setembro de 2019, foi montado nos trilhos SPEI.

No entanto, até janeiro deste ano, das pouco mais de 16 milhões de contas registradas e válidas que podem usar o CoDi, apenas perto de 2 milhões de contas pagaram ou receberam, pelo menos uma vez, por meio desse sistema.

O seu baixo nível de adoção está, muitas vezes, relacionado a uma experiência de usuário (UX) não intuitiva. Além disso, em princípio, a sua integração nos canais digitais das entidades não era obrigatória, algo que mais tarde mudou.

"A integração não foi difícil, porque não era uma via paralela, eram apenas protocolos na frente para gerar os códigos QR. Mas, uma vez configurada a transação, ela trafega pelo SPEI", diz Pineda, ao ser questionado sobre os desafios tecnológicos de agregar o CoDi a soluções bancárias.

O progresso do CoDi tem sido bastante desigual em comparação com outras plataformas semelhantes. O Pix, no Brasil, havia atingido 55% da população em maio de 2022, enquanto o CoDi era utilizado por apenas 8% dos mexicanos, segundo a Latinometrics.

 

2. Brasil: Pix

O Pix é o sistema de pagamentos instantâneos do Brasil, lançado em novembro de 2020 pelo Banco Central do Brasil (BCB). Tornou-se o modelo a ser seguido pelos reguladores financeiros da América Latina.

Em um país de 214 milhões de habitantes, pelo menos 134,6 milhões já fizeram Pix uma vez, segundo dados do BCB de janeiro deste ano, o que representa um aumento de mais de 20% em relação ao mesmo mês do ano anterior.

Sua velocidade, disponibilidade, conveniência e segurança impulsionaram sua adoção, bem como a promoção pelo regulador local.

Em torno do Pix foi gerado um ecossistema, que inclui o Pix Saque e o Pix Troco, o primeiro permite saques em dinheiro nas lojas e o segundo permite receber dinheiro pelo pagamento excedente de uma compra.

Além disso, a implantação do open finance no Brasil promoveu o surgimento de instituições iniciadoras de pagamentos com Pix, uma nova figura regulamentada que permite que as entidades originem e processem as informações de pagamento dos usuários.

Isso abre a possibilidade de criar e ajustar outros produtos financeiros (como créditos) de acordo com a capacidade de pagamento dos usuários. Bancos, como Bradesco, e grandes fintechs, como Mercado Pago e Magalu, têm optado por esse caminho.

“Estamos lançando nossa primeira iniciativa de financiamento aberto como iniciador de pagamento Pix na Kabum!”, Leandro Hespanhol, diretor-comercial e de novos negócios da Fintech Magalu, disse em junho.

Na ocasião, o gerente contou à iupana os planos da empresa de alavancar sua instituição de pagamento para prestar serviços a outras instituições do país.

Por sua vez, o diretor do BCB, Roberto Campos Neto, também afirmou, em março de 2022, que existe uma possibilidade real de o Pix ajudar no desenvolvimento das moedas digitais e na exploração do metaverso.

No final do ano passado, Campos Neto anunciou que os protocolos do Pix serão abertos para que qualquer regulador possa adaptar o sistema gratuitamente. A iniciativa fez a equipe iupana pensar na possibilidade de um sistema regional de pagamentos instantâneos.

 

3. Argentina: Transferências 3.0

Promovido pelo Banco Central da República Argentina (BCRA), Transferências 3.0 é um sistema de pagamento aberto e universal, que, através da interoperabilidade de códigos QR, visa a facilitar as transações entre os atores do ecossistema financeiro.

Os bancos e as carteiras eletrônicas do país participam, permitindo que contas de bancos (CBU) e de fintechs (CVU) realizem operações entre eles, apenas por meio da leitura de códigos QR.

Transferências 3.0 foi colocado em funcionamento em 29 de novembro de 2021 e, após dois meses, o BCRA notificou que mais de dois milhões de transações interoperáveis ​​foram realizadas pelo sistema.

Dias antes do início da interoperabilidade do QR, iupana conversou com o Mercado Pago que alertou que a implantação do sistema era um desafio tecnológico e de UX. Se uma boa experiência não fosse oferecida, as pessoas continuariam a preferir o dinheiro, disse, à época, Agustín Onagoity, diretor da carteira.

No entanto, embora o regulamento exija a interoperabilidade, ou seja, qualquer aplicativo ou carteira de mobile banking pode ler e efetuar pagamentos com o código, ainda existem players no sistema que não foram integrados a ele. Alguns aguardam autorização do banco central para fazê-lo, outros denunciam más práticas

Pierpaolo Barbieri, fundador e CEO do unicórnio Ualá, garantiu em sua conta no Twitter que existem empresas que não se enquadram na norma. “O regulamento exige interoperabilidade QR. No entanto, alguns usam integrações para evitá-lo. Para te obrigar a usar o app deles — e não o que você escolher”, escreveu, em novembro, quando também anexou uma foto em que um estacionamento exigia a transação com a carteira do Mercado Pago.

 

4. Bolívia: QR BCB

Em iniciativa semelhante, o Banco Central da Bolívia lançou, há menos de dois meses, o QR BCB, um sistema interoperável de pagamento imediato que busca agilizar as transações com leitura de código QR.

O emissor assegurou que a iniciativa contempla entidades financeiras bancárias e não bancárias; no entanto, no momento, está disponível apenas para clientes do Banco Unión, um dos maiores do país.

A implementação avançará "gradualmente em todas as instituições financeiras, à medida que adaptem seus sistemas para disponibilizar este serviço a seus clientes", afirmou o banco central em comunicado. Espera-se que o sistema esteja totalmente desenvolvido até 2024.

 

5. El Salvador: Transfer365

O Banco Central de Reservas de El Salvador lançou o sistema Transfer365, em junho de 2021, para fazer pagamentos interbancários imediatamente, por meio de uma câmara de compensação automatizada.

Participam do sistema bancos comerciais, associações de poupança e crédito, bem como outras instituições autorizadas. Em junho de 2022, o sistema evoluiu para Transfer365 Móvil, com o qual foi habilitada a possibilidade de fazer pagamentos instantâneos usando o número de celular associado à conta bancária.

No primeiro ano de operação, a Transfer365 movimentou US$ 7,904 milhões.

 

6. Colômbia: Sistema de Pagamento Imediato (SPI) e QR interoperável

Em setembro, o Banco da República da Colômbia criou o Fórum de Sistemas de Pagamentos, com o objetivo de promover grupos de trabalho público-privados para o desenvolvimento de um sistema de pagamentos imediatos (SPI) no país.

Meses depois, o banco central divulgou sua proposta de criação de uma câmara instantânea de transações e espera-se que neste ano sejam traçadas as diretrizes para a implantação do sistema aberto, interoperável e de baixo custo.

Da mesma forma, a Superintendência Financeira da Colômbia (SFC) lançou recentemente as bases para tornar as carteiras eletrônicas e aplicativos bancários interoperáveis, por meio de códigos QR. Para isso, o SFC apresentou um projeto para modificar as instruções de implementação do código nas operações. O objetivo é que todas as entidades compartilhem o mesmo padrão de código de pagamento, o que permitirá a comunicação entre elas.

As novas regras entrariam em vigor em agosto.

 

7. Peru: Interoperabilidade de carteira

Da mesma forma, o Peru estabeleceu interoperabilidade entre as carteiras eletrônicas mais populares, Yape e Plin. A primeira do grupo Credicorp e a segunda de uma aliança entre os bancos Interbank, Scotiabank e BBVA. O prazo para que essas soluções abram seus trilhos é 31 de março.

Desta forma, o Banco Central de Reservas do Peru estabelece um ambicioso sistema geral de interoperabilidade, onde o próximo passo é incluir o resto das instituições financeiras, como bancos, caixas de poupança e crédito e fintechs autorizadas.

 

8. Chile: Rumo a pagamentos imediatos de baixo valor

Alberto Naudón, conselheiro do Banco Central do Chile, disse à iupanaPro que a instituição está dando os primeiros passos para estabelecer um sistema de pagamento imediato no sul do país.

O ponto de partida é a criação de câmaras de baixo valor, algo que já foi aprovado em nível legislativo.

"É por isso que avançamos para as câmeras: formalizar a transferência e conectá-las de forma mais clara ao nosso sistema de pagamentos por atacado", disse o conselheiro no início do ano.

 

9. Panamá: do Vale Digital à Carteira 2.0

O Panamá também está trabalhando para estabelecer um sistema aberto de pagamento instantâneo. A lei que dará as bases à plataforma está em discussão avançada no Parlamento.

O país da América Central desenvolveu em 2021 uma plataforma de distribuição de pagamentos eletrônicos para alocar subsídios do governo, como forma de aliviar os efeitos da pandemia. Os beneficiários do Vale Digital acessam o programa por meio de um onboarding digital em um portal oficial. Ao realizar as compras, as empresas conveniadas escaneiam um código de barras ou código QR localizado na carteira de identidade dos usuários, debitando automaticamente os saldos.

O plano das autoridades é ampliar esse sistema de dispersão de pagamentos para permitir o acesso a outras entidades públicas e privadas, que trocam transações e dados dos usuários.

 

10. Costa Rica: Sistema Nacional de Pagamentos Eletrônicos (Sinpe)

Criado em 1996, o Sinpe, da Costa Rica, evoluiu e, hoje, é o sistema de pagamentos em tempo real do país da América Central.

O banco central evoluiu o sistema para o Sinpe Móvil em 2015, para que o dinheiro possa ser enviado com o número de telefone associado a uma conta bancária e em 2022 eles habilitaram o sistema de pagamento para transporte público.

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