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Banco Inter se prepara para listagem nos EUA e mira crescimento internacional

fev 28, 2022

Por Roberta Prescott
Banco Inter Brazil Entrevista

CFO do Banco Inter detalha os planos do banco para expandir para o mercado bancário dos EUA e listar ações emNasdaq, na esteira da estreia do Nubank na NYSE

O banco digital Inter planeja migrar suas ações para Nasdaq ainda neste ano. As metas incluem ainda se estabelecer como uma plataforma de serviço completo nos EUA e consolidar sua posição como super app no Brasil, segundo disse à iupana a CFO, Helena Lopes Caldeira.

Mais de um quarto de século desde que começou a operar como ‘intermedium financeira’ pertencente ao grupo econômico da MRV Engenharia, em Belo Horizonte, Minas Gerais, o agora banco 100% digital Inter está focado em expandir no exterior, relatou Caldeira.

Como parte dessa estratégia, o Inter adquiriu a fintech de pagamentos internacionais, baseada nos EUA, USEND e recebeu a liberação dos reguladores americanos e brasileiros em janeiro último. Agora, transferir suas ações da principal bolsa de valores do Brasil, a B3, para a Nasdaq será outro marco da instituição.

A relistagem, originalmente prevista para ocorrer em dezembro, foi suspensa após mais acionistas do que o esperado optarem pelo cash out, ou seja, receber o valor em dinheiro, em vez de trocar as ações no Brasil pelas listadas na bolsa nos EUA. Agora, a transação está sendo redesenhada e uma nova proposta será compartilhada com investidores em breve, disse Caldeira.

O Inter não é a única empresa brasileira de digital credores que busca o mercado americano para ampliar o acesso ao capital e diversificar sua base de investidores. A Creditas está preparando sua oferta pública inicial (IPO) para o segundo trimestre, enquanto o líder de mercado Nubank fez uma oferta histórica de ações na Bolsa de Valores de Nova York em dezembro.

“Estamos entusiasmados por estar listados nos EUA, porque acreditamos que será uma comunidade de investidores mais nova e mais ampla, que terá uma maior exposição às nossas marcas e que poderá aumentar muito nossa visibilidade, especialmente, pensando em expansão internacional”, afirmou a CFO.

Os planos do Inter nos EUA prevêem o lançamento de uma gama de produtos e a construção de uma plataforma de serviço completo como tem sido no Brasil, explicou Caldeira. Um dos produtos em desenvolvimento é uma conta de corretagem e investimento voltada para brasileiros que visitam os EUA e que estejam interessados em diversificar seus portfólios.

“Então, as pessoas, quando viajam para o exterior, não têm que pagar o imposto muito alto que [o Brasil cobra] em compras internacionais com cartões”, disse ela.

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Super App Brasileiro

Caldeira ingressou no banco em 2016 como chefe de desenvolvimento de negócios antes de passar a liderar a equipe de relações com investidores em 2019. Ela assumiu o cargo de CFO no início de 2020.

No Brasil, o Inter tem buscado se posicionar como um super app — um conceito que foi bem-sucedido na China, mas ainda não decolou na maior economia da América Latina. Sua plataforma Inter Shop oferece serviços financeiros e não-financeiros, desde banco digital até seguros e compras em grandes lojas. O objetivo é aumentar o engajamento dos clientes e apresentá-los a toda a gama de serviços, disse Caldeira.

O banco detém muitos dados dos clientes, incluindo sua capacidade de pagamento, o que pode ser utilizado para oferecer-lhes crédito. Juntar tudo isso em uma plataforma que oferece uma gama mais ampla de produtos e serviços parecia um passo natural, relatou a executiva.

O marketplace tem ofertas de varejistas online como Via, Magalu, Amazon e Americanas e se expandiu para incluir reservas de voos e hotéis, bem como entrega de alimentos. No ano passado, a Inter Shop teve R$ 3,5 bilhões em valor bruto de mercadorias.

O Inter está adicionando serviços e melhorando a experiência do usuário e, embora o uso tenha crescido significativamente, ainda há muito espaço para aumentá-lo, segundo Caldeira. “Parece que há um oceano azul para explorarmos.”

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Open Banking no Brasil

O open banking é outro pilar da estratégia de crescimento do Inter no mercado brasileiro. Isso porque open banking permitirá melhorar a capacidade do banco de entender como seus clientes investem e, assim, oferecer-lhes um portfólio de produtos mais diversificado.

O open banking pode melhorar as sinergias entre o Inter e outros players como plataformas de corretagem e investimentos, permitindo que ele faça melhores recomendações aos clientes, explicou Caldeira.

A estratégia de open banking do Inter ainda está em fase inicial e em conformidade com as entregas e fases estipuladas pelo Banco Central do Brasil (BCB). Por enquanto, o Inter planeja se concentrar em melhorar sua compreensão das necessidades dos clientes, a fim de melhor direcionar os produtos existentes.

Ter mais usuários entrando no sistema e consentindo em compartilhar seus dados é o principal desafio do open banking, disse Caldeira. Ela ecoou comentários de Pedro Bramont, chefe de negócios digitais do Banco do Brasil, que disse, em recente entrevista à iupana, que a massa crítica vai desbloquear todo o potencial do open banking.

“Se for bem implementado e se tivermos uma boa adoção pelos usuários, os benefícios potenciais de ter open banking podem ser enormes para todas as partes envolvidas”, destacou Caldeira.

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