O futuro das finanças na América Latina e no Caribe

Pierpaolo Barbieri, CEO da Ualá: “América Latina precisa de capital”

maio 12, 2022

Por Eyanir Chinea

O fundador do unicórnio relata sua estratégia no México ao lançar Ualá Bis, um serviço de pagamentos para PMEs e explica seu compromisso com o ecossistema de fintechs.

Embora o setor de fintech da América Latina tenha batido recordes de investimentos há cerca de dois anos, ainda há muito espaço para novos capitais inundarem a região. É o que Pierpaolo Barbieri, CEO da Ualá, o unicórnio argentino avaliado em US$ 2,45 bilhões – em parte, um produto desse boom de fundos.

A carteira, que vem evoluindo para um neobanco, lançou no México, no fim de abril, sua nova iniciativa de pagamentos focada em pequenas empresas, a Ualá Bis. É uma solução de aquisição que promete gerar impacto no mercado, gerando uma comissão fixa mais barata que a da concorrência. Também credita os valores em tempo real à conta selecionada pelo comerciante, eliminando o processo de compensação que leva vários dias.

Logo depois, Barbieri também anunciou a compra da plataforma argentina de e-commerce Empretienda, emulando os movimentos de outras fintechs, como o Nubank, que estão se lançando em outras indústrias fora das finanças, a fim de construir super ecossistemas. A ideia é cobrir todos os elos da cadeia comercial, desde as preferências dos clientes e marketing para alcançá-los até a venda, financiamento e entrega de produtos ou serviços.

“It takes money, to change money”,”, diz Barbieri em entrevista à iupana, após o evento de lançamento da Ualá Bis, na Cidade do México. Ele alerta que esta é uma frase tirada de “um grande investidor da Ualá” e que serve de inspiração para a construção de seu ecossistema.

“Acreditamos na próxima geração de empreendedores. A América Latina precisa de capital para poder crescer e iniciar novos projetos. Nós, da Ualá, tivemos a sorte de ter alguns dos melhores investidores do mundo”, acrescenta.

Esses mesmos investidores se tornaram a equipe de gestão da fintech e agora, na empresa de capital de risco 17Sigma, sua nova aposta. Apesar de ser uma empresa independente, ela compartilha com a Ualá os investidores e a equipe de gestão.

O fundo anunciou, em abril, que inicialmente destinará US$ 30 milhões para startups em estágio inicial. “Está apostando para criar competição e novas ideias em qualquer setor. Estamos investindo em uma empresa agrícola, em uma empresa de saúde, em uma empresa de habitação.”

Barbieri nomeou Bianca Sasson, ex-Kaszek, como líder da equipe que tem alguns nomes de destaque no setor entre seus patrocinadores, como Marcelo Claure, ex-SoftBank, ou Sebastián Mejía, cofundador da Rappi.

Estratégia da Ualá no México: ‘Redobramos a aposta’

No entanto, o fundador acrescenta que seu trabalho em tempo integral continuará à frente da Ualá. A fintech foi lançada em outubro de 2017 na Argentina, atingindo precoces notoriedade e adoção. Em outubro de 2020, chegou ao México, onde já tem cerca de 400 mil clientes e onde também, no fim do ano passado, comprou o banco ABC Capital, como forma de abordar a regulamentação e explorar a licença do banco para expandir sua carteira de serviços.

A compra ainda precisa ser autorizada pelo regulador local. Enquanto isso, eles lançaram a Ualá Bis.

“O lançamento da Bis redobra nosso compromisso com o México, que para nós é o futuro da Ualá”, diz Barbieri. “É um país três vezes maior que a Argentina e acreditamos que seu potencial é basicamente infinito. O porcentual de pagamentos e cobranças digitais é ainda menor do que na Argentina. Então, você tem uma população maior, mais jovem e menos digitalizada”, acrescenta.

A Ualá Bis funciona por meio de uma aplicação e é acompanhada por um terminal de ponto de venda móvel. Ele pode ser encomendado através do aplicativo e enviado para casa, uma opção com a qual eles esperam chegar a sites remotos.

“Vamos criar todo um ecossistema, porque as pessoas não só precisam de um cartão de débito, mas também precisam de uma solução de cobrança, um método de poupança e investimento, de crédito e de assistência”, diz o CEO.

“Vivemos em uma região onde mais de 50% dos adultos sempre foram condenados ao dinheiro. E o dinheiro é confortável, mas, ao mesmo tempo, não permite que você economize, invista, tenha um histórico de crédito. Também não ajuda a mobilidade social”, diz o historiador por profissão.

Aquisição em voga: para competir com comissões

O recente lançamento da Ualá está alinhado com outros movimentos do setor, como o Pay with Rappi ou o NuPay for Business, serviços similares com ênfase em pequenas empresas, setor tradicionalmente carente e que está atraindo a atenção das fintechs.

Barbieri explica que o produto, como todos os apresentados, baseia-se em uma análise de suas informações transacionais e seguindo as preferências dos usuários. “Baseamos todas as nossas decisões em dados, não em sentimentos”, diz ele.

A empresa acrescenta que buscará se diferenciar pela facilidade de uso e experiência do usuário, embora aposte que seu maior gancho é a comissão competitiva e as transferências imediatas.

“Do nosso lado, na pandemia o uso das mídias digitais para pagar cresceu muito”, explicou Maia Eliscovich Sigal, diretora da Ualá Bis, no lançamento.

“Houve um aumento de 66% nas operações de vendas digitais. Mas, se olharmos para o crescimento dos terminais, percebemos que esse crescimento não era tão alto; foi de apenas 26%.”

“Esses dados nos dizem que a hora de lançar no México é agora, porque, claramente, há uma oportunidade de oferecer algo diferente do que está no mercado”, acrescenta a executiva.

Fundos prontos: Ualá investirá US$ 100 milhões no México

No ano passado, eles lançaram na Argentina uma solução de seguro e assistência que pode ser adquirida por meio de seu aplicativo. Eles também apresentaram uma plataforma de investimento. Nenhuma opção foi descartada para o México, embora reconheçam que estão esperando a licença para tomar novas decisões.

Enquanto isso, para continuar expandindo sua rede, em janeiro, desembarcaram com a carteira na Colômbia, onde funcionam como uma entidade autorizada.

“Nossa valorização é um limiar imaginário, como unicórnios. Essa cenoura não é nossa. Nosso objetivo é continuar crescendo”, disse Julieta Biagioni, diretora de comunicação da empresa, durante a apresentação da Bis à imprensa, onde também anunciou que eles têm US$ 100 milhões para investir no curto prazo no México e aumentar a operação com novas contratações.

“Então veremos outros mercados. Há muito desejo de continuar crescendo”, acrescenta Barbieri.

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