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AFPs na mira: Fintechs apontam para nova oportunidade de aposentadoria

abr 4, 2022

Por Antony Pinedo

As fintechs de investimento querem preencher o espaço deixado pelas finanças tradicionais no vasto mercado de aposentadoria e apresentar produtos para atrair contribuições voluntárias dos trabalhadores

As wealthtechs estão começando a competir no segmento de previdência privada com produtos de investimento digital que permitem aos usuários planejar a aposentadoria, uma área historicamente carente na América Latina.

Os aplicativos de gestão de riqueza abriram caminho, ampliando o acesso ao investimento em instrumentos internacionais. Entre elas, ações de empresas na Bolsa de Valores de Nova York, com pequenas quantidades e ao alcance do smartphone, algo que antes estava disponível apenas para grandes investidores.

Agora, como parte da evolução de seus produtos, elas identificaram uma nova oportunidade: previdência.

Nesse mercado, as wealthtechs podem impactar o futuro dos trabalhadores, complementar os sistemas tradicionais de pensão e gerar novos fluxos de receita.

“Infelizmente, o sistema de gestores de fundos de pensão do nosso lado do mundo está falhando. Ele não cumpriu a promessa que tinha quando foi inventado: garantir uma aposentadoria. Você terá que garantir isso para si mesmo”, disseà iupana Valdemaro Mendoza, cofundador e CEO da tyba, a wealthtech colombiana do Grupo Credicorp do Peru

A fintech lançou, no ano passado, um fundo de pensão voluntária, que se aproveita de incentivos legais do governo da Colômbia, como a isenção da carga tributária por dinheiro destinado a esse tipo de poupança.

Trata-se de “um produto de nicho”, diz Mendoza, que acrescenta que os trabalhadores que acessam essa ferramenta buscam economias de longo prazo, para comprar uma casa ou manter a aplicação no fundo por dez anos, conforme exigido pela norma.

Embora seja um nicho agora, há potencial para ser um grande negócio, já que a poupança para a aposentadoria na América Latina ultrapassa US$ 822 bilhões, de acordo com os cálculos de Preqin.

Outras plataformas também seguiram a receita. No México, a Fintual está aproveitando as regulamentações locais para lançar soluções.

“No México, temos alternativas legalmente viáveis para poder fazer uma poupança complementar à obrigatória. Isso pode ser através de um mecanismo que é o plano de aposentadoria pessoal (PPR)”, diz Norma Briz, diretora-geral da fintech chilena naquele país.

A fintech lançará o produto este ano, como complemento ao sistema regular de gestores de fundos de aposentadoria (Afores, sigla em espanhol para Administradoras de Fondos para el Retiro). Destina-se também a trabalhadores informais ou independentes, que compõem a maior parte da força de trabalho.

No México, um país de aproximadamente 59 milhões de pessoas economicamente ativas, Briz ressalta que apenas 8 milhões de trabalhadores fazem a contribuição obrigatória para seu fundo de aposentadoria. E, no momento da aposentadoria, eles recebem como pensão mensal cerca de 30% do valor do último salário, acrescenta.

Essa realidade favorece a criação de soluções alternativas para gerar um amortecimento econômico para a aposentadoria. E, embora pareça o passo lógico para fintechs que facilitam investimentos, não é totalmente simples. Nos EUA, a Robinhood – talvez a wealthtech mais conhecida do mundo – ainda não oferece contas de aposentadoria individuais (IRAs, na sigla em inglês), que permitem um regime tributário mais favorável.

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A expansão das wealthtechs

Nas últimas semanas, as plataformas de investimento geraram um eco para suas internacionalizações. A Flink, do México, desembarcou na Colômbia com a aquisição da corretora digital Ualet; e Trii, também do país do café, chegou ao Peru, após um acordo com Kallpa SAB, corretora de valores.

De Bogotá, Mendoza identifica duas razões para a expansão dessa vertical: o modelo de negócio é “muito replicável” nos países latino-americanos e as wealthtechs nasceram 100% digitais, então, “a expansão regional é muito fácil de fazer”.

O executivo revela à iupana que a Tyba se expandirá para o México em 2023, seu quarto país, após ter operações no Chile, Colômbia e Peru.

A Fintual também acelerou sua entrada no mercado mexicano, em agosto do ano passado, com a aquisição da distribuidora de fundos de investimento Invermérica e passou a administrar cerca de US$ 650 milhões de dólares, somando os dois lugares.

“Definitivamente, a indústria de wealthtech grande potencial na região e, cada vez mais, pessoas estão interessadas em dar outro uso ao seu dinheiro por meio de produtos de investimento”, diz Sergio Jiménez, cofundador e CEO da Flink.

O processo de compra da Ualet teve início em 2021 e o executivo diz que está trabalhando com o regulador colombiano para iniciar suas operações em meados deste ano. “No entanto, não temos uma data exata”, diz Jimenez.

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Investimentos cripto

Venezuela e Colômbia estão entre os dez países com maior adoção de criptomoedas no mundo, de acordo com um estudo publicado em março de 2021 pela Chainalysis, empresa especializada em serviços blockchain.

Essa onda gerou a criação de novas ferramentas para o uso e investimento de criptomoedas na região, como o sandbox da Superintendência Financeira da Colômbia, no qual bancos e fintechs podem vincular contas de usuários a plataformas de negociação de criptomoedas, algo que, até mesmo o Bancolombia, o maior banco do país, está experimentando.

Diante dessa oportunidade, a Tyba lançará a possibilidade de investir em criptomoedas em seus três mercados este ano. “Vamos lançar, em 30 de junho, no Chile; em 30 de agosto, na Colômbia e, em 31 de dezembro, no Peru”, adianta Mendoza.

No entanto, Flink e Fintual dizem que incorporar investimentos cripto dentro de suas plataformas é algo remoto. “Queremos nos concentrar em dar a milhões de pessoas na América Latina acesso à Bolsa de Valores de Nova York”, justifica Jimenez.

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